Libertar as mentes agrilhoadas; Libertar as ideias; Partilhar saber; Mudar mentalidades; soluções para um mundo melhor,livre de extremismos, nacionalismos, falsas premissas.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
O culto às divindades no território de Olisipo
É mais do que notório que Lisboa nada seria sem o Tejo, tal como sucedia nos tempos da velha Olisipo, já que é junto à água e mais concretamente à faixa litoral que se localizam quase todos os testemunhos de culto existentes neste território.
Ainda que o elemento água não seja necessariamente o objecto de culto em si, ele é por certo a condicionante fundamental para a implantação populacional. Quer se esteja relativamente próximo da zona costeira, quer se esteja mais para interior, é a proximidade das correntes de água ou mananciais, o elemento determinante do modo de vida nesta zona do território deste os tempos remotos até à actualidade.
Claro está que o elemento Natureza é sempre ultrapassado pelo elemento artificial, determinante na forma de vivência do espaço urbano.
Na azáfama do dia-a-dia, o homem da cidade grego, romano ou indígena romanizado, dividia-se em inúmeras tarefas, mal tendo tempo para respirar. No fundo, as coisas não diferiam muito dos nossos dias! Mas ainda lhe restava tempo para si, para a su religiosidade, ainda que notoriamente forçada e condicionada pelas modas que traziam os novos deuses romanos e orientais que desembarcavam no cais a toda a hora.
E lá vinha a grande Cybele de mão dada com Mercúrio, aconselhando os comerciantes e os viajantes a serem pudentes ao meterem-se ao mar.
Mas o Homem não é prudente e só na sua réstia de energia se apercebe da importância do seu bem estar.
E lá encontra Aesculapiys pacientemente à sua cabeceira, segurando a mão que pende trémula, ouvindo os queixumes e histórias intermináveis sobre os seus feitos gloriosos que o grande Iuppiter apoiou auxiliado por Apollo, concedendo-lhe a sabedoria e a eloquência nos discursos de vitória.
Conta também como alcançou a Concórdia e estabilidade do Império, o que também não seria possível sem que Diana estivesse por perto.
E o homem que se prostra moribundo na sua cama já não é mais um. São todos os homens da cidade! Todos aqueles que correm agitados e frenéticos em busca de um sentido para as suas vidas enquanto acorrem a deus desesperamente nos seus pensamentos. Deus? Mas qual deles? A quem recorrer neste momento de aflição?
E eis que surge engalanada uma epígrafe, consagrando votos, estropiando males, diminuindo o peso na consciência.
E a tudo isto os deuses observam e atendem pacientes no seu leito celestial.
E no campo? No campo os desejos dos homens não são diferentes dos desejos dos homens da cidade. É a busca da felicidade no suceder da vida aquilo que se pretende. A única diferença é que esta é mais simples, mais vivida, quase palpável na proximidade da relação entre os deuses e o Homem! Quase se pode ouvir um diálogo em cada epígrafe que se encontra. E se estivermos bem atentos, até um abraço de alento podemos observar!
Ainda que não diferente porque, por muito que o Homem tente não pode fugir à própria vida, é no campo que esta se reflecte mais. É aqui entre as populações autóctones e até entre o cidadão romano que escapou às garras do monstro que é a Cidade, é o elemento Natureza que se torna a determinante fundamental.
É a indígena que adora a Fons, outra que invoca o seu Genius, notando que a romanização já por aqui passou, e a outra ainda que consagra culto a Bandua, divindade pouco consagrada por estas bandas, mas onde o facto de se estar numa zona interior, foi certamente uma condição determinante para a difusão desse culto.
Mas os deuses romanos também dão o ar de sua graça! E lá temos o senhor que venera o Grande Deus Iuppiter, pai de todos os deuses. E que melhor companheiro se poderia desejar?
E ainda a Grande Deusa Mãe que também pelo campo passou e que não foi esquecida por aqueles que a servem.
E tantas outras divindades trazidas daqui e dali, testemunhando realidades de outros sítios, ideias de outros lugares: Ilurbeda, Kassaecus, Triborunnis, Aracus Arantus Niceus e Mermandiceus.
E, o cimo de tudo, o Sol e a Lua, que não eram vedados a ninguém, conquistando do mais nobre imperador ao mais plebeu dos homens, mostrando a estaes quão frágeis são e quão perecíveis perante a imortalidade dos elementos.
O desenterrar deste passado tão remoto vai-nos lembrando, a pouco e pouco, das grandezas de outros tempos e gentes que já lá vão, que viviam, sentiam e pensavam como todos nós, gravando na pedra um testemunho para toda a eternidade.
Ana Resende
sábado, 19 de outubro de 2013
O Homem, os Deuses e a religião ao serviço do Homem
No princípio havia somente o Caos.
E do Caos nasceram as formas das coisas.
E dessas formas nasceu o Mundo.
E no Mundo plantou-se uma semente.
E da semente nasceu o Homem.
E o Homem cresceu, construiu, criou e destruiu.
Mas na sua febre de saber e de viver, o Homem sempre temeu o desconhecido, a chuva que cai e inunda a Terra, o Sol que se ergue e que se põe, o relâmpago que rasga o céu, e tantas outras coisas sem nome que o Homem não podia explicar.
Como todo o ser que teme o que não conhece, sentiu necessidade de dar um nome ao desconhecido, ao acaso, ao incerto.
E assim nasceu o conceito de Deus e de Religião.
Com mais ou menos variantes, uma ou mais divindades, a religião é a forma profunda de cada um exprimir os medos e os anseios que tem, podendo simultaneamente justificar os infortúnios e os pequenos descontentamentos diários, num mundo que sempre o suplantou e surpreendeu.
Não longe desta realidade, os Romanos também viram nascer os seus deuses. Primeiro, das coisas mais simples, personificando as forças e as formas da Natureza, e depois, mais complexos, relacionando-os com as suas cidades, as suas conquistas, conceitos ideológicos, entre outros aspectos.
O domínio do mundo e o esplendor das conquistas, permitiram aos Romanos entrar em contacto com realidades socioculturais e religiosas bastante diferentes da sua. Isto todavia, não os impediu de uma forma mais ou menos passiva, de aceitar ou permitir a liberdade cultual ao vasto rol de habitantes do Império, se deixarem de assegurar uma mostra do poderio dos seus deuses que passaram a ser venerados em todos os cantos do Império.
Mas como é normal, nos locais já bafejados pelo sopro de outras divindades, os cultos acabam de uma forma ou de outra, por se enraizar e misturar, sincretizando aspectos do antes e do depois.
Assim, as populações indígenas foram assimilando ao seu modus vivendi as divindades vindas da capital romana e de todas as partes do Império, adaptando obviamente as suas características ao seu gosto e às suas necessidades religiosas, associadas à vida quotidiana.
Não será portanto de estranhar que com o status mudasse o culto e a forma como este se apresentava, sendo mais ou menos ostensivo e mais ou menos "interesseiro" consoante as necessidades de quem o praticava.
Ana Resende
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Da complexidade do ser
Há uns tempos, numa dessas conversas de circunstância que no fundo nada teve de banal, dei por mim num interessante diálogo com uma aluna minha: somos o que pensamos ou pensamos o que somos?
Na realidade vejo-nos como sendo mais do que aquilo que pensamos porque a mente humana tem uma complexidade de raciocínio que ultrapassa muito mais do que aquilo que aparentemente vemos.
A bem dizer, isto dava "pano para mangas" e fez-nos encetar uma conversa que muito passava para lá dos limites da aula de História e prosseguia por meandros de complexidade filosófica do ser, do parecer, do ambicionar ser e do que de facto se é.
Fez-me pensar e eu gosto de pensar!
Infelizmente concluí que muitos não chegam a fazê-lo ao longo da vida! Pelos menos na verdadeira acepção do que é pensar, não no gesto inato de respirar e oxigenar o cérebro! Muitos tomam o certo por garantido, o óbvio como verdade, o visível como real!
Mas seremos apenas só isso?
Acho que o nosso cérebro é muito mais complexo do que uma qualquer explicação que possa aqui tentar almejar dar!
A conversa deslizou solta para variadíssimas temáticas como o acaso, o destino, o controlável e o incontrolável, psicopatias e razões motivacionais, o ser naturalmente bom ou naturalmente mau, as opções aparentemente voluntárias e induzidas, etc...
E depois de tão aceso debate a que demos livre curso, apenas conseguimos concluir que é um mistério o "ser ou não ser"! E realmente é mesmo essa a questão!
Somos e temo-nos como supostamente como o ser mais complexo e evoluído mas somos também o único na Natureza capaz de idealizar os actos mais cruéis para com o nosso semelhante. Somo simultaneamente o mais destrutivo mas também aquele que é capaz das obras mais grandiosas. Somos senhores racionais e emocionalmente fortes e dominantes, mas se abrirmos bem os olhos, a mente e o coração, somos capazes de aprender com aquilo que nos rodeia, em especial com os animais, o verdadeiro sentido de altruísmo, afecto e amor incondicional.
Temos um cérebro imenso para explorar, mas perde-mo-nos em banalidades diárias e nas preocupações supérfluas, sem lhe dar o devido uso.
Acreditamos ser donos de tudo, mas não conseguimos controlar o tempo e muito menos o nosso fim.
Por isso questiono-me: haverá algo superior, uma centelha divina que tudo controla, até o próprio pensamento humano?
Ana Resende
Saber Ser, saber amar, saber viver, saber estar
Não podemos esperar dos outros aquilo que desejamos receber ou de que achamos ser meritórios, mas sim e tão somente, aquilo que eles estão dispostos a dar-nos.
E se achamos que efectivamente eles estão em falta para connosco, então temos todo o direito à indignação e à mudança, pois o conformismo deverá ser sempre a antítese de ser humano.
Contudo esperamos frequentemente ver nos outros um reflexo de nós próprios e isso é apenas uma utopia.
Há muitas formas de agir perante aquilo que nos rodeia. Há quem consiga ponderar correctamente dando sempre passos seguros e tomando decisões acertadas e há aqueles que pisam invariavelmente areias movediças à espera da tábua de salvação que teima em não vir, batendo de frente com os mesmos erros vezes e vezes sem conta.
Amamos. Sentimos. Vivemos. Poder-se-ia dizer que há muitas formas de o fazer, muitas maneiras de sentir e formas tão variadas de estar quantas as pessoas que existem no mundo.
Mas quando toca ao Amor no sentido amplo da palavra, há um dado essencial a considerar: colocar quem amamos acima das nossas próprias necessidades, vaidades, teimosias e egoísmos, sem contudo perder de vista aquilo que somos.
O Amor deverá ser suficientemente altruísta e generoso para se alimentar a si próprio. Só na entrega sincera e verdadeira a algo que nos ultrapassa, poderemos ser verdadeiramente grandiosos.
Se quem amamos é de facto digno e meritório desse Amor, então será também um ser iluminado e altruísta que porá o bem estar de quem ama em primeiro lugar.
As pessoas não são propriedade nossa e nunca jamais as podemos tomar como adquiridas ou constantemente ao dispor dos nossos caprichos e desejos que variam de acordo com o nosso estado de espírito.
É importante percebermos que, a partir do momento em que nos comprometemos com alguém, seja quem for, seremos sempre responsáveis pelo impacto que causamos na vida dessa pessoa em função dos nossos actos.
Não se pode amar e causar dor a quem se ama e não se pode esperar um sorriso quando fomos nós quem conduziu a que vertesse uma lágrima!
A benevolência tem limites e a mente guarda para lá do que as palavras possam fazer crer e o tempo apagar.
Sejam generosos na vossa existência!
Ana Resende
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